”E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.”- Colossenses 1:17

Estava ouvindo uma música, muito bonita por sinal, que gosto muito. Várias e várias vezes cantei essa canção com toda a fé e a esperança do meu coração, num grito apaixonado e numa tentativa de expressar que, a despeito de qualquer circunstância, meu desejo era confiar integralmente no meu Senhor.

A canção diz assim: “Meus sonhos não morreram, eu vou lutar […] Os verei em vida […] Ainda vivem os meus sonhos, restituirás tudo em meu favor”. Como é bom cantar isso e pensar na fidelidade do Pai! Mas há algumas coisas que tenho ouvido, outras que tenho percebido e ainda outras que tenho lido na Palavra, as quais acho importante destacar.

Agradeço ao Papai por todos os sonhos que Ele tem permitido que eu realize em vida e pelos muitos o outros que acredito que Ele me permitirá viver. Mas precisamos entender o verdadeiro Evangelho, que não gira em torno de nós e nossos desejos, para não pensarmos sob hipótese alguma – aconteça o que acontecer – que a Palavra de Deus tenha falhado em alguma coisa, ou que possa falhar. [Romanos 9:6]

Quando eu era mais nova e contava meus sonhos de aventuras e perigos para as pessoas e elas manifestavam preocupação, eu sempre respondia que “quem tem promessa [para ser cumprida], não morre”. Mas dizendo isso, ignorava uma parte especialmente linda, pura e talhada em mistérios das Escrituras: “Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra. Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria” – Hebreus 11:13-14.

Esses dois versículos estão dizendo que vários homens e mulheres de fé – das maiores fés de que se tem registro na Palavra de Deus – morreram sem terem recebido as promessas? É isto? Confere, produção? É isto. Essas pessoas de fé sorriram e acenaram para suas promessas, mas não as viram em vida. Se lermos o capítulo todo de Hebreus 11, veremos que muitas promessas foram alcançadas, mas repito, nem todas em vida. Como exemplo, Abraão não viu sua descendência se tornar como a areia do mar e Moisés não pisou – em vida – a terra prometida (mas a pisou em espírito, no monte da transfiguração, com Abraão e Elias, milênios depois).

O que quero dizer, é que Deus não deixa de ser Deus ou deixa de ser bom ou deixa de ser fiel se não vemos nossos sonhos realizados. Papai tem prazer em nos ver felizes e realizados, tenho plena certeza disso. Mas há um propósito maior, que não entra em negociação. Por mais que o Senhor seja gracioso nos detalhes de nossa vida, Ele sabe que o único sonho eterno e não corrompível que podemos ter é a pátria que Ele nos está preparando. Esses homens e mulheres de fé de que fala o livro de Hebreus não agradaram a Deus porque acreditavam que Ele os iria exaltar ou que iria satisfazê-los em seus desejos e anseios humanos. Esse pessoal agradou Papai do Céu, porque ansiavam pelo presente, pela pátria que só Ele nos dará, por saberem que estariam ao lado Dele eternamente, pura e simplesmente.

“Mas agora desejam uma [pátria] melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade.“ – Hebreus 11:16

Penso em tudo isso, porque gosto de saber que o Senhor não é o meu umbigo. Ele não é fiel a mim, Ele é fiel a sua palavra. Deus é fiel em tudo, porque este é o Seu caráter e o Seu caráter não é vão e negociável como o meu. Deus não age em meu favor, Ele age sendo fiel à Sua Palavra, e a Sua Palavra diz que tudo coopera para o bem dos que o amam. Tudo: até aquilo que aos meus olhos parecesse ruim. Eu não sou o centro do mundo e não sou o centro de Deus. Pelo contrário, Ele é o meu centro. Meu centro, meu norte, meu leste meu oeste, meu tudo. 

Que o Pai nos dê a graça de entendermos que somos galho e não raiz. Que nos dê a sinceridade de amá-Lo não pelo o que ele pode fazer durante nossa peregrinação nesta terra, mas pelo que Ele já fez na cruz do calvário para o perdão de nossos pecados, a salvação de nossa alma e nossa habitação na nova pátria! Que o Senhor nos conceda misericórdia, e restitua tudo – tudo – não em nosso favor, mas em favor do único que é digno de glória, honra e louvor: Ele mesmo. 

Por Ananda Ribeiro